quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

                                                                              

 
Festa da Apresentação do Senhor

02 de fevereiro

“O Senhor manifestou a sua salvação”

“Chegou a verdadeira luz, que vindo ao mundo ilumina todo ser humano” (Jo 1,9)





A Festa da Apresentação de Jesus no Templo foi fixada quarenta dias depois da Natividade, porque era a duração prescrita por Moisés para a purificação das mulheres que dão à luz, antes que elas pudessem se aproximar do santuário, do Templo. Esta festa era inicialmente celebrada no dia 14 de fevereiro (quarenta dias depois da Epifania) em Jerusalém, quando era feita uma procissão até a Igreja da Ressurreição, conforme relata Égérie nos escritos de sua peregrinação à Terra Santa (381-384).

No século VI esta festa foi introduzida em Constantinopla, em seguida foi instituída em Roma no século VII pelo Papa Sérgio I (687-701). Esse episódio aconteceu no interior do Templo onde se deu a oração de Simeão que, ao aproximar-se da Virgem e tomar o Menino nos braços, profetizou sobre os dois: “Jesus morrerá na cruz, signo de contradição, e Maria terá a alma traspassada por uma espada”. Dois outros personagens participam da cena: a profetisa Ana e José.

O ícone da Apresentação no Templo ilustra alguns paralelos interessantes: Simeão recebe Jesus nos seus braços como Isaías a brasa ardente nos lábios e como o fiel a eucaristia; José, como no ícone da Natividade, representa a humanidade incrédula diante do mistério; Simeão e Ana recordam as figuras de Adão e Eva no ícone da Ressurreição. Essa é a festa do encontro entre a humanidade e o Cristo: a Virgem Maria apresenta Jesus; Simeão e Ana, doravante muita idade, o recebem com alegria; admirado e pensativo, José assiste à cena.

A imagem do velho Simeão é a imagem mesma do pobre que encontra a salvação em Cristo. A liturgia ortodoxa das vésperas retoma suas palavras: “Agora, Senhor, tu pode deixar teu servo ir em paz segundo tua palavra, pois meus olhos viram a tua salvação, que preparastes para todos os povos” (Lucas 2, 29-31). No ocidente, esse hino foi incluído a partir do século V na liturgia de completas com o título latino Nunc dimitis.  Simeão é “aquele que recebeu Deus”. A imagem de Simeão tomando o Menino Jesus em seus braços exprime uma paternidade (ou maternidade) toda espiritual.

A festa que hoje a Igreja toda celebra é o mistério de Deus feito homem, que vem ao mundo trazendo a salvação a todas as nações. Portanto, todos nós devemos correr ao encontro dessa Luz, concebida pela Virgem Maria e recebida nos braços pelo velho Simeão, na esperança de que, iluminados por ela, possamos afastar de nós todo o pecado que nos separa de Deus, e corrermos mais depressa para essa luz de comunhão com o Pai.
               


Texto traduzido por Salete Therezinha A. Silva (Irª Catarina de Sena, Oblata OSB) – “La présentation de Jésus au Temple” e “Le vieillard Siméon”. In: Icônes et saints d’Orient, Paris, 2005.
               

         

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